AS DORES DE ALMODÓVAR

    Sucinta, mas nem por isso menos merecedora de ser lida , a entrevista de Almodóvar ao Globo, no último sábado. Destacaria sobretudo o que  ele fala do seu processo de envelhecimento. Aos 66 anos, embora ainda um homem cheio de vida e de carisma,    o cineasta reconhece que o processo de envelhecimento já começou nele, há dois ou três anos. Assinala que problemas físicos começaram a se manifestar , como a dor ciática e a necessidade de uma cirurgia nas costas.

A solidão, que confessa viver nos últimos anos, merece também comentários seus. O escrever já leva um tempo de solidão e silêncio, agravado pelo afastamento de seus amigos, num processo de que se dá conta. Tornava-se um ser antissocial. Reconhece que a solidão não seja o melhor caminho, ainda que seja importante saber viver na solidão. Resolve então voltar a se encontrar mais vezes com os amigos, saindo para jantar com eles.  “Não quero me tornar um misantropo”, enfatiza. Por fim, assinala que não acredita em envelhecimento com maquiagem, é mais fácil rejuvenescer, por isso  recorre  a duas atrizes para dar vida à protagonista em duas idades diferentes.

Com maior ou menor grau de conscientização, as pessoas vão refletindo sobre o passar dos anos, ao sentirem entrar no outono de suas existências. Com Almodóvar, que viveu intensamente com sua arte, um revolucionário com seus filmes, o envelhecimento é encarado  de frente, tema de uma análise sempre merecedora de suas agudas reflexões.

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